Carlos Machado revela que só a fé o ajudou a superar a morte de sua filha

Publicado em 13/01/2012

Quem vê o chefe de segurança bandido e homofóbico de Fina Estampa, nem imagina o quanto Carlos Machado é gentil e carismático. O capanga de Tereza Cristina (Christiane Torloni) tem feito um enorme sucesso. Tanto que o personagem que era pra morrer no comecinho da trama caiu nas graças do público e o autor, Aguinaldo Silva, resolveu investir no artista tornando, Ferdinand, o grande cúmplice nas crueldades da rainha do Nilo.

Nascido no Rio, mas mineiro de coração, Carlos Machado, 47 anos, é ator há 18 e dentista há 20. "Quando me formei em odontologia, entrei na FAB (Força Aérea Brasileira) e lá fui tenente-dentista", revela Carlos, que logo depois disso iniciou a carreira de ator.

Pode nos falar um pouquinho de você?
Nasci no estado do Rio, em Resende (RJ). Mas nunca morei lá. Meu pai era instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras e logo foi transferido. Hoje é coronel da reserva do Exército. Ele e minha mãe moram em Juiz de Fora (MG), terra natal deles. Então passei boa parte da minha vida mudando de casa... Morei em Brasília (DF), Curitiba (PR), New Jersey (EUA), Rio e a maior parte em Juiz de Fora. Meu sangue é mineiro. Cursei odontologia em São Paulo e me especializei em ortodontia no Rio. Também fiz cursos de atualização na Alemanha e nos Estados Unidos.

E quando pintou a vontade de ser ator?
Aos 29 anos comecei a levar a sério esse sonho. Já era tenente-dentista há cinco anos. Fui transferido para o Rio, em 1993, dei início aos estudos de teatro e logo consegui o registro profissional. Na época fui indicado para um teste com Chico Anysio, em Chico Total. Este foi meu primeiro contrato com a Globo. Depois, o Walter Avancini me chamou para a minha primeira novela, Mandacaru, com um papel de destaque, o do Capitão Cavalcante. Ele foi o primeiro a acreditar em meu trabalho.

E como concilia as carreiras de dentista e ator? O que os clientes falam?
Não está sendo fácil. Sou dentista há 20 anos, e já estava nos meus planos administrar a clínica mais do que clinicar. Os pacientes, assim como a maioria dos brasileiros, são bem noveleiros. E sempre arriscam um palpite sobre o que acontecerá com o personagem (risos).

Por que o Ferdinand está tendo esse enorme destaque?
É um vilão que consegue ser engraçado, apesar de chato. Consegue ter leveza, mesmo com sua grossura. E por estar sempre na praia praticando esportes, até sendo muito cruel, transmite uma certa solaridade.

Sei que você teve uma filha, a Luiza, que hoje estaria com 21 anos. Importa-se de contar o que aconteceu?
Aos 9 anos, minha filha adquiriu hepatite autoimune, uma doença rara e inexplicável. Mas com os medicamentos que tomava, levava uma vida saudável e praticamente normal. Aos 11 anos, ela teve uma pneumonia, que por causa dos remédios que tomava acabou não sendo diagnosticada. Por isso teve complicações irreversíveis e partiu antes para o paraíso. Creio piamente que é lá que ela se encontra, segundo a minha fé cristã.

E como superou essa dolorosa perda?
É muito confortável ter fé, principalmente, em momentos difíceis. Não que eu não tenha sofrido ou não sinta a dor da perda, longe disso. Mas, não tenho mais a revolta e nem o desespero da perda e da falta de respostas para uma tragédia como essa. Recomendo a todos que passaram por perdas difíceis lerem o livro, A Cabana, de Willian P. Young. E os evangelhos. É reconfortante e transformador.

Tem vontade de ser pai novamente?
Tenho e serei pai em breve! Quero adotar algumas crianças e ter dois.

Tem planos para quando acabar a novela?
Quero conhecer a África (principalmente Quênia e África do Sul) e a Austrália, onde mora minha irmã Inês Machado Coling, que é casada com um veterinário alemão.

 

Extraído de mdemulher.abril.com.br